
Vivemos cada vez mais habituados a uma perversão de vida moderna (ou pós-moderna como preferem alguns) onde o "ter" ou o "parecer ter" é cada vez mais valorizado passando a ser sinônimo de "caráter" social. as relações sociais se mostram cada vez mais instáveis e fingidas. É a sociedade do espetáculo que se consolida e que prefere a imagem, a representação e a aparência em detrimento do ser. Numa sociedade onde nossos desejos são cada vez mais forçados a serem reprimidos, e que parece estar descompassada em relação com tudo que a habita. A "civilização" impõe ao homem que renuncie a seus desejos, que os reprima. O homem torna-se neurótico porque não consegue suportar o grau de renúncia exigido pela sociedade em nome de seu ideal cultural. A civilização do progresso, da dominação da natureza, da felicidade e da razão é assim um "deplorável fracasso", inclusive em seus sucessos. Pois a cada conquista da racionalidade encontra seu duplo no aparecimento de um sofrimento mais pesado. Tomo a espressão de Raoul Vaneigem que diz que estamos nos conformando (ou já conformados) a viver "numa democracia de supermercado, numa autonomia de self service e num hedonismo onde nossos prazeres são comprados". O coletivismo cedeu lugar a um individualismo acentuado. A falta de esperança é assustadora. Tudo é incerto, "líquido", e o pensamento do planejamento e da ação em longo prazo foi transformado numa série de episódios de curto prazo que são infinitos. Assim, por mais fora de "moda" que seja, ainda acredito (ou quero acreditar) numa revolta. Numa revolta das massas que seja fruto de uma negação e oposição radical à ordem dominante (se bem que as configurações sociais da atualidade não se mostrem direcionar para esse caminho...). Enfim, espero que se acabe a exploração (ou talvez que se humanize essa exploração) e que se promova a "erotização geral da existência". Só lembrando que essa "erotização da existência" não tem nada a ver com os espetáculos promovidos nos finais de semana que movimentam Salvador... (rsrs)

Primeiro, gostei do nome do blog, bastante 'cientista social' para um historiador,rs.
ResponderExcluirSegundo adorei a imagem seguida do texto 'persona', ou é o título da imagem?
Quanto ao texto, me identifiquei pela 'indignação ' explicitada. A maioria de nós se rende as imagens, aos reflexos de um ser por ter, a esse egoísmo que soa como nato e natural da existência humana. Antes de ser moderno, pós-moderno ou sei lá mais o quê,rs. Eu fico com o velho barbudo que apontou a tal da 'essência' por trás das 'aparências'. Mas é claro, sem deixar de apontar a multicausalidade que o barbudão fechou os olhos em alguns momentos. Quem sabe esse comentário decifre a fotografia acima, 'do arrancar da máscara'. Porém, algo que estou longe de entender é esse "SER HUMANO", eu em suma, consciente das 'falhas de caráter, conduta e sei lá mais o quê', que o texto sugere e porém aqui, ainda aqui, inerte no mundo inquieto da imaginação. Porém admiro, eu, você e todos que colocam para fora, seja de que forma for, a revolta em relação ao estado humano e social de sê-lo da forma que o é.
No mais, vá ser filosofo assim lá em São Lazaro,rs.
Um forte abraço meu caro Alan!
"...'erotização da existência' não tem nada a ver com os espetáculos promovidos nos finais de semana que movimentam Salvador... (rsrs)."
ResponderExcluirSensacional essa observação final
abraços man