Como já me referi em textos anteriores, a situação
da superlotação dos transportes coletivos de Salvador é um problema que vem
aumentando progressivamente ao longo dos meses sem que nenhuma solução seja apresentada,
sequer assegurada, nem por parte dos governantes, tampouco das empresas
fornecedoras do serviço.
Somos todos cientes do exército de trabalhadores que
residem nas áreas suburbanas e periféricas da cidade de Salvador e que
necessitam do transporte coletivo para irem e retornarem dos locais de
trabalho.
Porém, cotidianamente, ao longo da Avenida Afrânio
Peixoto – mais conhecida como Avenida Suburbana - tem acontecido mais uma forma
desrespeitosa e violenta no tratamento aos trabalhadores usuários dos
transportes coletivos, sobretudo nos horários de aumento da demanda, a saber,
das 06:00 às 08:00h e entre às 16:00 e 19:00h .
Como a busca pelo uso dos ônibus é alta e a oferta é
baixa, principalmente nos horários de “pico”, ocorre a superlotação OBRIGANDO
alguns sujeitos a – se quiserem chegar mais cedo em casa – permanecerem,
DESCONFORTAVELMENTE, na “traseira” dos ônibus.
Ora, os donos das empresas dos ônibus, ao fabular
que a ocupação das “traseiras” dos ônibus esteja lhes reduzindo os lucros (que são
faraônicos); ou que seja um método, um “jeitinho” para não se pagar a passagem,
CONTRATARAM grupos de algozes
supostamente armados para reprimir a
população pobre trabalhadora que se encontre nas “traseiras” dos ônibus. Geralmente
se encontram em grupo de cinco a sete indivíduos nas proximidades de certos
pontos de ônibus ao longo do trajeto. Habitualmente vestidos de calças e
camisas estilo polo ou de botões e com uma ar de seriedade e arrogância. Os
motoristas já os conhecem e ao menor sinal desses indivíduos encostam os ônibus
para que a ação seja feita.
A mensagem é simples: ou as pessoas registram a
passagem e aceitam imprensar (e ser imprensado) ainda mais as pessoas no
corredor apertado dos ônibus ou aceitam, “gentilmente”, descer no ônibus, em qualquer
local que este seja abordado, sob amaça de pancadas! E tudo “licitamente”
aceito pela fiscalização municipal e policial! Aliás, é bom que se diga, muitos desses algozes (senão todos) são
policiais que não satisfeitos pela repressão do dia-a-dia, veem nessa forma
de trabalho um meio de obter uma grana extra e reprimirem ainda mais a
população alienada, que por sinal é a mesma classe na qual está inserido e faz
parte.
Assim, como se não bastasse o desconforto da
superlotação, os inúmeros engarrafamentos, a poluição sonora e os riscos de
assalto, os usuários suburbanos do transporte coletivo de Salvador tem ainda de
aturar a gentileza dos carrascos contratados pelos grandes empresários dos
transportes.
Até quando ficaremos inertes diante desse escândalo?...
Salvador, 22 de agosto de 2012
Alan Passos.

